Sexta-feira, Dezembro 04, 2009
Concurso
Sexta-feira, Julho 24, 2009
Tango.
Ele me olha.
Me desvio, envio.
Rodopio.
Encontro suas mãos no encontro dos corpos no encontro dos sons no encontro do desencontro.
Caio, rebaixo, rastejo me arrasto, rasteira rasteiro.
Tango sempre termina em morte ou abandono.
Como se dança o tango [tutorial]
Você diz que sim,
ele diz que não.
Você diz que não,
ele diz talvez.
Te esfrega, te nega, te pega, te joga.
Você diz que não, ele diz talvez.
Você diz talvez, ele diz AGORA.
Você se zanga, deseja, pede, implora,
ele te joga no chão.
Você rola, grita em silêncio,
ele ri.
Você ama, ele diz amar.
Ele é o primeiro a ir embora.
Terça-feira, Julho 21, 2009
Fantome
É distante,
diferente,
triste,
só,
ser um fantasma.
Não fazer parte do (seu) mundo.
Apenas, vezenquando assombrar,
assustar.
Não ter pele,
não ter cor,
não ter som,
não ter toque,
não ter sabor.
Passar, fluido como o ar.
Invisivel como o ar.
Mas não necessário.
Não vital.
Não indispensável.
Ser soprado para longe.
Quando o que se quer é ser aspirado.
É distante,
diferente,
triste,
só,
ser um fantasma para quem ninguém reza.
Por quem ninguém reza.
O que não existe não existe.
Simples conclusão. Simples confusões.
Detalhes não existem para o que não existe.
Explicações não existem para o que não existe.
É distante,
diferente,
triste,
só,
não existir.
Não ser explicado.
Ser infinito, mas não explicado.
Ser infinito, mas não audivel.
Ser infinito, mas não tocável.
Ser infinito, mas cabendo, ajustado,
perfeitamente do lado de fora.
É distante,
diferente,
triste,
só,
ser um fantasma.
Não fazer parte do (seu) mundo.
Apenas, vezenquando assombrar,
assustar.
Terça-feira, Julho 07, 2009
Esses tais de dedos que todos tem, menos eu.
Esse tal coração.
Um que pulse forte, ou que apenas pulse.
Esses tais de olhos,
que de coloridos em coloridos só me mostram cinzas.
Não existe.
Se demora o toque, não existe o toque.
Se demora o olhar, não existe o olhar.
Se demora o beijo, não existe o beijo.
O que existe não demora.
Cobra, tem pressa, busca.
Penetra a pele em arrombos.
Derruba a porta sem ver se está aberta.
O que não existe sempre me engole.
Aperta o meu cérebro entre os dentes.
Extrai o suco do que sei de desejos.
Extrai o suco do que sei do gostar.
E me vomita.
Segunda-feira, Janeiro 12, 2009
Sobre desejos
E o cigarro quente.
A fumaça externava,
e penetrava.
Um certo tipo de ritual tribal,
que nossos personagens faziam.
Somos muito tribais.
Canibais.
Liquidos.
Doces bárbaros.
E amargos in(palavra censurada).
(Fim censurado por falta de existência, a falta de existência é uma cruel censura, castração do que ainda não existe.)
Segunda-feira, Junho 30, 2008
Amante telepático
A névoa de suas palavras.
Tenho medo.
Imagino futuros de massinha.
Papel. E barro.
Tateio em corpos mortos,
seu corpo de vidro.
Tateio em outras bocas,
sua boca de vidro.
E beijo o asfalto
com a exatidão do vinho e do cigarro.
Sangro na terra e recebo um abraço
[que deveria ser seu].
O sangue molha o ar e o mundo.
Talvez você respire meu sangue nos seus suspiros
e sinta meu sangue quando encostar a terra.
Olho a estrela que imagino que você olha,
te toco, tateando seu labirinto.
Suas pedras machucam meus pés.
Minha cara enrubrece com seu soco mental.
Tranco-me em você.
Sou expulso por seus sorrisos distantes.
Me banho em fluidos meus
limpando as feridas que seus "talvez" me causam.
Respiro cansado do ar da noite
e me farto de um gozo triste.
De uma lágrima, que numa outra dimensão,
em que sou feliz com você,
não existe ou é quente.
Lembro um passado feliz que não tive,
em que uma mão que não existe me tocava apaixonado,
em que olhos verdes que não existem me tocava apaixonado,
num simples beijo de borboleta.
Estendo a mão ao meu Eu-feliz,
ele se esvai na realidade pontiaguda, cortante, sufocante e dolorida.
Fecho os olhos numa desistencia necessária.
Cansado,
morro nos braços eternos de um "sim" que nunca tive.